Passageira
Notei um esquilo, correndo na mata,
a cauda curvada, num 'esse' preciso.
O olhar muito vivo redondo arrebata.
Nos verdes do bosque, mal via seu piso.
Subiu na nogueira e, uma noz entre as patas,
passou a comer, sem sinal nem aviso...
A vida ao redor, descansava pacata,
os galhos dançavam ao vento indeciso.
Assim a paixão, emoção passageira,
é cena fugaz na paisagem da vida,
um parco alimento das nossas vontades
e marca perene da dor tão primeira.
A força mais forte, no tempo esquecida,
fatal ilusão, que nos mata e se evade.
Nilza Azzi
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