Morreres


Se eu tiver que morrer ao meio-dia,
que o sol se esconda e a chuva seja fria
e que eu vá jazer longe daqui,
no mar azul, que há muito eu escolhi.

E assim meu pó não saiba mais quem é,
se areia, sal, se espuma ou mesmo até
alguma conta, em que participei
da formação da esfera, branca ou grei.

Se eu tiver que morrer à meia-noite,
que o vento encrespe e forte seja o açoite
das ondas, sobre as rochas das falésias...

E as minhas poucas cinzas, ele asperge-as,
o mar revolto, a um céu indiferente,
na cor banal de um último poente...

Nilza Azzi

 
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