Garoa
Esse frio desde cedo, desde ontem,
desde sempre... gela os ossos a doer.
O cinza por sobre o sol,
neblina constante e densa,
a cidade encantada, adormecida,
desabitada de vida aparente.
Névoas correm com o vento,trocam de lugar,
mas não se dispersam, em seu passeio
sobre os contornos difusos de uma ou outra cor,
mas logo retorna o mundo oculto,
que à visão desconforta,
quase desolação.
Adivinha-se em segredo,
cada vida ali presente,
resguardada pela névoa.
Gotas delicadas, pequenas
carícias leves, geladas,
descem suavemente do céu.
Nilza Azzi
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