Poema in comum
Tu és o meu poema
de ontem, de antes, de sempre.
Navio que chega e parte sem aviso,
destronas meu juízo e roubas minha cena.
Tu és esse desejo alheio aos meus sentidos,
no desalinho das palavras mal brotadas,
nas desbotadas cores das figuras,
nessa mistura estranha dos meus nervos.
Tu és o estranhamento em verbos novos,
a súbita mudança, a quebra de linha,
a rinha onde lanço esta disputa
meu texto livrado à voz dos povos.
Nilza Azzi
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