A pedra
Nas manhãs que descem pelo espaço nuas,
com as vestes claras, cada dia uma,
a neblina some, leve como espuma.
– Na tragédia cósmica, o princípio atua.
Se nada é eterno, nada resta, em suma,
tudo chega ao fim e ali se desvirtua,
quanta insipidez expõe a forma crua!
A verdade dói! – Dói como nenhuma...
É nos vãos da noite que o mau sonho medra.
É da inquietude, feita de suspense,
essa coalisão de tais palavras tolas.
Pobres das ideias, de quem ousa expô-las!
Bem melhor fugir das teses em que pense
essa massa inútil, próxima da pedra.
Nilza Azzi
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