Bucólica
A sombra da mangueira compensava
o peso do calor. Era agradável
notar que além do voo de uma ave
o céu era imutável como estava.
A luz do sol cegava de tão forte.
O lago cintilava. Ao longe o gado
bebia a água com algum enfado,
o vento não soprava mais do Norte.
Os olhos descansavam sonolentos,
nas garças brancas por ali perdidas,
as formas adelgadas e compridas,
o mundo a espiar por um momento.
O ronco de um trovão feriu a cena
− A paz não perdurou, foi tão pequena.
Nilza Azzi
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