Estou nua
Sangro leite morno na pele cálida,
A crisalida não voa entre as pétalas, mas as flores crescem entre as borboletas nos olhos divinatórios dela
Da inquieta inocência transpassada,
a languidez da cabeleira, a tênue variação da tensão nas pontas dos pés, a dança excitada
Nem toda magreza amarga
De açúcar e corantes a carne pálida se entranha nas lisuras das garras.
O vermelho não sangra e a alma tece uma teia de azul em tons de rendas
A agulha não salva a veia,
Mas coração bombeia o puro sangue para fora da casa
Estou nua e sangro sempre, estou nua e amo sempre,
O peito em contato direto haverá de estar de frente ao teu
As ancas redondas e os joelhos quadrados,
Se articulam para proverem o leito,
Estou nua, deitada na banheira branca, está amanhecendo e eu virando manhã
Se quiseres amar de novo, deitarei as costas sobre a terra
Até que me cuides como semente e frutos,
Estou nua, como luz e elementos,
galhos e raízes, nua de tudo, toda tua
como a flor ao vento
Charles Burck
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Coruja Doce ê..
Julian Lael
Porque inteligência é tão braba, Não há como fugir dela pinguim; E age na surdina, logo acaba, Com o intelecto do mai…
Julian Lael
Taberna do Sol Poente
Dodge Leal
A trilha da dor não é eterna, E me formei com diplomas... Meu Deus! — naquela taberna! Mas lá é a ruína dos axiomas.…
Julian Lael
Tudo o que pedi
Juntos, sem questionar,
no ritmo de Caribe clássico,
muito além dos petroglifos.
Ler com o que há de mais fino:
o casamento s…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Carta lacrada.
Esta carta lacrada em selo vermelho é para ti... que nunca irei conhecer... pois nunca me observou andando nas ruas desertas de minha cid…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*