Ultrarromântico


A Lua segue a noite... A luz depura
e aclara a solidão  – fel dos meus dias.
Busquei-te em todo canto e, com candura,
clamava só por ti, mas não me ouvias.

Deixaste,  sem aviso,  a noite escura...
Amor, não entendeste o que eu queria?
Sufoco, tenho a febre que não curas,
e morro: – Vem juntar minhas mãos frias!

Distante, o meu amado segue a aurora
e deixo, aos borbotões, fluir meu pranto,
convulso, pela dor que me devora.

Tão só, na vastidão deste meu canto,
não sei o que será de mim agora,
porque te disse não, mas te amo tanto...

Nilza Azzi
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