Tempo-será
Tão breve o tempo de ilusões pueris
e forte o alento que é da juventude!
Somente um vento, porém nos ilude,
na forma vaga, um mero pingo em giz,
nos foge o tempo e morre num palude.
O que nos falta, o que é viver feliz,
parece um bem que escapa por um triz,
mas quem resolve essa questão tão rude?
Se estoura a bolha e nada mais espio,
é claro então que essa ilusão não rende
e um novo mundo emerge do vazio.
Solto no vácuo, como fora um rio,
vai meu passado, ao longe ele se estende,
e apenas sigo a ponta desse fio.
Nilza Azzi
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