Desvario
Neste céu sem estrelas da cidade,
quando o manto noturno se entristece
e no azul não mais cabe a menor prece,
a tristeza me assombra e mais me invade.
Tudo é como se aqui já não houvesse
um sinal de amplidão, de liberdade,
e nos fosse negado essa benesse,
de espantar uma dor que não se evade.
E sem ter o que olhar, o que colher;
esperanças de mundos infinitos,
perco em minha garganta qualquer grito.
É um peso, um ensaio de morrer,
uma angústia que cala em minha boca,
quando a noite me deixa meio louca.
Nilza Azzi
quando o manto noturno se entristece
e no azul não mais cabe a menor prece,
a tristeza me assombra e mais me invade.
Tudo é como se aqui já não houvesse
um sinal de amplidão, de liberdade,
e nos fosse negado essa benesse,
de espantar uma dor que não se evade.
E sem ter o que olhar, o que colher;
esperanças de mundos infinitos,
perco em minha garganta qualquer grito.
É um peso, um ensaio de morrer,
uma angústia que cala em minha boca,
quando a noite me deixa meio louca.
Nilza Azzi
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