Dissolução
Sinto saudade de um bem que nunca tive;
a nostalgia da ausência é sempre forte
e esse vazio, denso e calmo, é mais terrível,
porque não há solução na minha sorte.
Se nas esquinas do tempo, eterna, vive,
à minha espreita, essa sombra, a minha morte,
para flagrá-la, escorrego nesse aclive
e não mais quero a verdade que conforte.
Se na passagem que está no meu caminho,
tudo que existe são formas de incerteza
e, neste mundo, a matéria segue presa,
o bem perdido é um desejo comezinho
– a ceifadeira nos diz que tudo finda –
que esse vazio pode ser maior ainda.
Nilza Azzi
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