Formas
Nuvem que vaga pelo céu distante,
sonho de chuva de um grão diminuto,
meio dormente, à beira do levante:
– nova esperança traz como atributo.
Que escalde a terra, o fogo crepitante
e de algum modo, num saber arguto,
rompa-se a casca, surja logo adiante...
Dos muitos brotos, logo venham frutos,
em messe farta, a revelar da vida,
a breve essência, a história resumida,
o desdobrar da eterna trajetória,
do ciclo efêmero do ser humano...
E sobre as graças, nesse chão profano,
vale lembrar que a forma é transitória.
Nilza Azzi
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