Migração

Nos leitos em que se deita minha canoa,
nas águas pouco profundas, deveras calmas,
navegam alienadas diversas almas:
–  A vida nessas paragens já não é boa.

Nas linhas que desenharam a minha palma,
no curso desse remanso tudo destoa
e o canto repete em ecos a mesma loa:
– À margem do sentimento, a dor se espalma.

Nos sonhos, onde flutuam desejos tristes
e a capa da realidade não vê futuro,
estranho, por meus sentidos, tudo que existe.

À falta de algo mais belo, intenso e puro
a sombra, parada ao lado, a tudo assiste:
– Resvalo no meu murmúrio e a esconjuro.

Nilza Azzi
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