O impossível nós
Quando contempla a sucessão dos dias,
esse rosário de infinitas contas,
que lhe escorregam pelas mãos vazias,
por dedos pasmos, ante as horas tontas,
guarda a tristeza das ave-marias,
das ilusões e das certezas prontas...
Se redescobre o amor e as fantasias,
como afastar as dúvidas e afrontas?
Livra ao silêncio um grito sufocado,
de extrema rebelião, pelo pecado
de amar assim a quem amar não deve.
Mas o inimigo é sempre mais feroz,
tempo suspenso que lhe cala a voz,
pelo impossível desse sonho breve.
Nilza Azzi
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