Ia o velho pastor por uma estrada,
no rumo sem razão do seu caminho.
Esquecera da ovelha desgarrada:
− O rebanho, um detalhe comezinho.

E pelos vales, pelos montes, nada
podia desviá-lo...  Ele, sozinho,
olhava a vastidão desamparada,
sem chances de voltar ao velho ninho.

No rumo oposto vinha uma pastora,
de uma simplicidade sedutora,
um toque de poesia ao seu redor...

Se cada qual a própria cruz levava,
a força que os sustinha, embora brava,
não fez de sua vida algo melhor.

Nilza Azzi
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