Sal da terra
Ora! Deixem que brilhem as estrelas,
a respingar o espaço de incertezas!
Meus pobres olhos brilham só por vê-las,
porque sou só, sem forças, indefesa.
Se fosse a luz do olhar qualquer farol
e houvesse um porto em mim onde atracasse
um barco e, então, um só raio de sol
pudesse iluminar a minha face,
quem sabe fosse aquilo uma esperança
de ser a solidão coisa banal,
e a lágrima − essa gota que se lança
a fim de revelar todo seu sal,
em brilhos de cristal a céu aberto −
a luz do olhar de Deus, quiçá mais perto.
Nilza Azzi
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