Charada
Inspirado vou eu ouvir som agoureiro,
se primeiro há em mim a intenção de fruir;
de sorrir pelo céu, esse azul de tinteiro
e me abeiro da paz, brancas nuvens, porvir.
Ao me abrir ao prazer, vejo ao longe um outeiro
e um aceiro contorna um farol a ruir...
Eis me a rir, gargalhar, pois me sinto fagueiro:
sou herdeiro do vento; ele é meu elixir...
A luzir, longe o mar, velas brancas, infladas
e as paradas da espuma a subir pela areia.
E se alteia uma onda, outra logo se quebra
e celebra a visão, alma assim nunca alquebra.
Se requebra esta voz, a balada que anseia,
desenleia este amor das antigas charadas.
Nilza Azzi
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