Vênus exilada
O quanto peque em versos, sem qualquer talento,
tentei fugir de ti poesia malfadada,
seguir outro caminho, andar por outra estrada.
Ah! sim, pensei deixar-te, o sonho que alimento,
a nuvem de meu estro, a linha alinhavada,
o mundo circunflexo, o estrato e o sedimento,
o meu querer pesado, o coração ciumento
e a dor de bem saber a letra da toada...
Da mesma forma eu quis, do amor passar ao largo,
pois tem muito em comum, a saga das paixões,
e paguei um a um os meus pecados tolos.
Já não sei mais dizer se foi por culpa ou dolo
− e saberias tu, se os limites transpões −
que perdi meu amor, o meu vate, o meu bardo!?
Nilza Azzi
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