Há...
Há um céu azul, além do azul
nos lúbricos caminhos da ventura
algures, nas alturas do eu perdido
do espanto e do não-ser...
Há zunidos estranhos e sem sentido
nos bosques quietos, recônditos
onde liberdade não é uma palavra
e nada pode ser chamado de loucura
lá, onde o amado planta sonhos
que florescerão no tempo certo
Há um mar profundo, além do mar
no desatino das viagens cegas
ao largo dos pesados continentes
em pacíficas e ensolaradas ilhas
de pureza e de segredos...
Há falésias afagadas pelas ondas
e murmúrios desse mar
nas entranhas dos rochedos
onde o que se guarda é poesia
na mais pura das misturas
Há um precipício, um largo precipício
na ebulição do desespero criador
e nesse centro tudo brilha e tudo morre
Nilza Azzi
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