Chuva de beijos
Se eu fosse beijar teu rosto,
tal chuva (uma alegoria!),
te olharia e, isto posto,
por onde eu começaria?
Pela testa, lá no alto,
pela raiz dos cabelos;
não chegaria de assalto,
deslizaria em desvelos...
Sentiria a tua pele
e desfaria a tensão;
seguiria o que me impele,
como chuva de verão.
Lavaria os olhos teus
das tristezas e seria,
como o fim de algum adeus,
arco-íris e alegria...
E qual gota se eterniza
cristalina e vacilante,
beleza clara e precisa
suspensa no breve instante,
banharia o rosto inteiro
com meus beijos, feito pingos
espalhados nos outeiros
− a poesia dos domingos!
Da pontinha do nariz,
olharia o precipício
da tua boca que diz:
-Vem! Te ofereço o início;
a porta da minha alma
e, do meu corpo, o caminho.
− Vem! E me beija com calma,
traze o sonho que adivinho!
Nilza Azzi
tal chuva (uma alegoria!),
te olharia e, isto posto,
por onde eu começaria?
Pela testa, lá no alto,
pela raiz dos cabelos;
não chegaria de assalto,
deslizaria em desvelos...
Sentiria a tua pele
e desfaria a tensão;
seguiria o que me impele,
como chuva de verão.
Lavaria os olhos teus
das tristezas e seria,
como o fim de algum adeus,
arco-íris e alegria...
E qual gota se eterniza
cristalina e vacilante,
beleza clara e precisa
suspensa no breve instante,
banharia o rosto inteiro
com meus beijos, feito pingos
espalhados nos outeiros
− a poesia dos domingos!
Da pontinha do nariz,
olharia o precipício
da tua boca que diz:
-Vem! Te ofereço o início;
a porta da minha alma
e, do meu corpo, o caminho.
− Vem! E me beija com calma,
traze o sonho que adivinho!
Nilza Azzi
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