Ao sabor da brisa
Nas manhãs mais puras,
quando o dia ainda não foi corrompido,
murmuro algum segredo ao teu ouvido.
O orvalho ainda se aquece
nas flores das goiabeiras,
que migraram para as ruas de meu bairro.
Teu olhar azul
põe em mim doce moldura;
o céu dá sentido às copas das paineiras.
Nessas manhãs em que parece outono,
e o vento apenas beija folhas verdes,
é que me pergunto, sem querer,
o que é a cor...
Um tijolo grita
de um muro qualquer
— Já não sou mais o barro natural!
Mais perto de mim,
três letras dançam no ar sereno
e pedem abrigo até a primavera.
Há uma pausa breve —
o vento ainda passeia
e vai levando pra bem longe
toda angústia que há em mim.
Enquanto toca, o sino faz tilintar as pedras,
vai dizendo — Acorda! — e ouve
o som dessa harmonia ao teu redor.
Um cachorro late ao longe;
tu me tomas pela mão.
É quando me pergunto sem querer:
— O que é o amor?
Nilza Azzi
quando o dia ainda não foi corrompido,
murmuro algum segredo ao teu ouvido.
O orvalho ainda se aquece
nas flores das goiabeiras,
que migraram para as ruas de meu bairro.
Teu olhar azul
põe em mim doce moldura;
o céu dá sentido às copas das paineiras.
Nessas manhãs em que parece outono,
e o vento apenas beija folhas verdes,
é que me pergunto, sem querer,
o que é a cor...
Um tijolo grita
de um muro qualquer
— Já não sou mais o barro natural!
Mais perto de mim,
três letras dançam no ar sereno
e pedem abrigo até a primavera.
Há uma pausa breve —
o vento ainda passeia
e vai levando pra bem longe
toda angústia que há em mim.
Enquanto toca, o sino faz tilintar as pedras,
vai dizendo — Acorda! — e ouve
o som dessa harmonia ao teu redor.
Um cachorro late ao longe;
tu me tomas pela mão.
É quando me pergunto sem querer:
— O que é o amor?
Nilza Azzi
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