Dispensável
Eu não preciso que você me ame,
nas tardes de verão ensolaradas...
O Sol bem me amará, sem que reclame,
embora talvez deixe algumas sardas.
Eu não preciso que você me ame,
se é primavera e o ar me beija doce.
Além, nos campos, flores em enxame
são sempre luz. São mesmo antes que fosse
a imensidão azul, gélido inverno
e o ar já frio, rude e fustigante.
Se os polos são o lar do gelo eterno,
por mim, faz-se completo o meu instante.
Mas chega o outono e as flores viram frutos,
a voz da passarada refestela
e brilham estes meus olhos enxutos,
se bem que a minha rua seja aquela
na qual você não passa há muito tempo,
porque será o amor sempre impreciso.
Nilza Azzi
nas tardes de verão ensolaradas...
O Sol bem me amará, sem que reclame,
embora talvez deixe algumas sardas.
Eu não preciso que você me ame,
se é primavera e o ar me beija doce.
Além, nos campos, flores em enxame
são sempre luz. São mesmo antes que fosse
a imensidão azul, gélido inverno
e o ar já frio, rude e fustigante.
Se os polos são o lar do gelo eterno,
por mim, faz-se completo o meu instante.
Mas chega o outono e as flores viram frutos,
a voz da passarada refestela
e brilham estes meus olhos enxutos,
se bem que a minha rua seja aquela
na qual você não passa há muito tempo,
porque será o amor sempre impreciso.
Nilza Azzi
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