Sophia
Um fio vermelho tingia o horizonte,
enquanto Sophia bordava serena.
No bosque encantado havia rumores
e a luz dos amores,
além das falenas.
A deusa fiel ao saber inerente,
fazia das linhas tecidas, apenas
exemplos de histórias, de escolhas antigas,
das velhas cantigas
e das cantilenas.
Sophia era sábia ao usar as palavras,
mas não mais podia aguentar suas penas.
Assim, por desejo do Um, ânsia vasta,
dos deuses se afasta,
mas busca ser plena.
Rever este mito me faz bem à alma
– a profundidade do fato me acena –
entendo essa angústia que sempre me habita
e a minha desdita,
já não vale a pena.
Nilza Azzi
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