Sem medidas
É quando a tarde cai, e o Sol se esconde,
e a noite chega rápido, e me alcança,
que não posso esquecer-me da criança
perdida, não sei quando, não sei onde.
Não é tristeza, não, ou dor que vaza,
também não é saudade o que me agarra.
É mais a nostalgia... Aquela farra,
na rua, ao fim do dia, em frente à casa.
O espectro da noite, e não me iludo,
era uma ruptura, o adeus à vida,
a forma de aprender que, descabida,
um dia chega a morte e leva tudo.
Enfim, quando declina, em seu processo,
o dia, e só nos sobra a escuridão,
as mágoas, uma a uma, todas vão
juntar-se desmedidas, pois não meço
o tempo, pelos frutos da estação.
Nilza Azzi
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