Queimada
Pus fogo na floresta dos meus sonhos
e nem salvei as aves, borboletas;
deixei que os dias fossem mais tristonhos.
Joguei meus velhos trastes na sarjeta
e, num mergulho fundo no meu luto,
comprei pra mim um traje violeta
e fui viver no fundo de um reduto,
na parte mais escura do meu eu,
nas neves de um inverno absoluto.
Um dia, entanto, o novo aconteceu:
notei alguns pontinhos bem brilhantes,
constantes nessa abóbada de breu.
Os pontos pareciam mil diamantes,
não eram uniformes, mas variados,
em tons como jamais eu vira antes,
e foram preenchendo vários lados,
daquilo que sonhara ser eu mesma,
até chegar aos núcleos mais velados.
Em folhas, empilhadas feito resma,
nas faces, nas camadas superpostas ,
a vida, dividida – a alma – fez-ma...
Então lembrei do mundo às minhas costas,
perfeito, nos meus sonhos mais antigos,
queimei por fim ideias decompostas
e consenti que amar tem seus perigos...
Nilza Azzi #terzarima
e nem salvei as aves, borboletas;
deixei que os dias fossem mais tristonhos.
Joguei meus velhos trastes na sarjeta
e, num mergulho fundo no meu luto,
comprei pra mim um traje violeta
e fui viver no fundo de um reduto,
na parte mais escura do meu eu,
nas neves de um inverno absoluto.
Um dia, entanto, o novo aconteceu:
notei alguns pontinhos bem brilhantes,
constantes nessa abóbada de breu.
Os pontos pareciam mil diamantes,
não eram uniformes, mas variados,
em tons como jamais eu vira antes,
e foram preenchendo vários lados,
daquilo que sonhara ser eu mesma,
até chegar aos núcleos mais velados.
Em folhas, empilhadas feito resma,
nas faces, nas camadas superpostas ,
a vida, dividida – a alma – fez-ma...
Então lembrei do mundo às minhas costas,
perfeito, nos meus sonhos mais antigos,
queimei por fim ideias decompostas
e consenti que amar tem seus perigos...
Nilza Azzi #terzarima
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