Hora miraculosa

Hoje a manhã solidificou a solidão que deixa
Impunemente prescrever esta hora vadia, qual
Efémera palavra que pulsa reverente e fugidia
Lágrimas de um lamento incontido abrigam-se
Entre as pálpebras de tantas emoções incontroláveis
Repintando nos painéis do tempo mil ilusões inimagináveis
Deixa cada desejo um rasto de silêncios tão incisivos
Apogeu para minha prosa inspirada numa estrofe invasiva
Capitular ante absurdas rimas que degusto de forma tão dissuasiva
Guardei na gaveta das minhas lembranças, memórias
Deveras tão permissivas, que as saudades, descontroladas
Se esgueiram roçagantes pelo palco de mil caricias desveladas
Frederico de Castro
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