Erosão do tempo

No solo do tempo escalda esta
Solidão quase comburente, até sedimentar
A crosta deste silêncio tão interferente
Erosivo cada lamento dilapida uma emoção
Passageira, deixando nos detritos da saudade
Cada lembrança rugindo com muita cumplicidade
Neste colapso de silêncios muito ecológicos
Desertificam-se ilusões, decompõem-se horas
Que depois tombam no enrocamento de mil paixões
Na laguna da manhã espirra uma maresia esquizofrénica
Desfragmenta-se no areal dos sonhos mais erosivos, até
Deixar uma fissura homogénea neste sorriso tão expansivo
Frederico de Castro
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