Sangria
Dentre essas formas mortais, restos que eu vejo,
estranha luz que se apaga e não retorna,
como a tinta descascada de azulejo
nos mostra uma tela insípida e sem forma,
as tristezas, que suporto, e não confesso,
têm resíduos poderosos, resistentes,
pois no fundo de minh’alma, no recesso,
é impossível de se achar, mesmo com lentes,
alguma causa real que as justifique.
Se as mantenho ali contidas por um dique,
muitas vezes não parece que consigo...
Da precária segurança eu sinto medo;
sempre há fendas mal vedadas, um perigo.
Então choro – essa sangria eu me concedo.
Nilza Azzi
estranha luz que se apaga e não retorna,
como a tinta descascada de azulejo
nos mostra uma tela insípida e sem forma,
as tristezas, que suporto, e não confesso,
têm resíduos poderosos, resistentes,
pois no fundo de minh’alma, no recesso,
é impossível de se achar, mesmo com lentes,
alguma causa real que as justifique.
Se as mantenho ali contidas por um dique,
muitas vezes não parece que consigo...
Da precária segurança eu sinto medo;
sempre há fendas mal vedadas, um perigo.
Então choro – essa sangria eu me concedo.
Nilza Azzi
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