Calma
No espelho do lago brilha o luar;
a brisa é suave, o som saudosista.
as flores do Ipê parecem dançar:
um breve amarelo surpreende a vista.
A crista da serra escura refaz
fugaz ligação ao alto e conquista
a calma azulada, o céu em que jaz.
Um bosque à direita mostra a silhueta
e a estrela pequena refulge atrás;
espia a paisagem: − É Vênus, planeta!
Longe, a miragem de um cume ao final
coroa as encostas, úmidas, pretas,
a noite é um fato estranho, irreal!
O orvalho recobre o capim vergado,
ao longe, o barqueiro dirige a nau.
Desvio o olhar, contemplo outro lado.
Esconde a planície um manto sem fim
que de pirilampos vai constelado.
Ares rescendem a cravo e jasmim,
a alma percebe o quanto é pequena!
Não guardo memória, mas sei que assim
passo a integrar o delírio da cena.
Jamais vou saber o que foi que eu fiz,
mas estou aqui e bem vale a pena
ainda que falte base ou raiz...
Nilza Azzi
#terza rima
a brisa é suave, o som saudosista.
as flores do Ipê parecem dançar:
um breve amarelo surpreende a vista.
A crista da serra escura refaz
fugaz ligação ao alto e conquista
a calma azulada, o céu em que jaz.
Um bosque à direita mostra a silhueta
e a estrela pequena refulge atrás;
espia a paisagem: − É Vênus, planeta!
Longe, a miragem de um cume ao final
coroa as encostas, úmidas, pretas,
a noite é um fato estranho, irreal!
O orvalho recobre o capim vergado,
ao longe, o barqueiro dirige a nau.
Desvio o olhar, contemplo outro lado.
Esconde a planície um manto sem fim
que de pirilampos vai constelado.
Ares rescendem a cravo e jasmim,
a alma percebe o quanto é pequena!
Não guardo memória, mas sei que assim
passo a integrar o delírio da cena.
Jamais vou saber o que foi que eu fiz,
mas estou aqui e bem vale a pena
ainda que falte base ou raiz...
Nilza Azzi
#terza rima
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