Filha sem flores
Sentado no banco de perna cruzada,
Segura uma esterlícia com os dedos.
Vê, cruzando seu campo de visão,
crianças saltando e de volta no chão.
Tão colorida a rápida criançada,
ambiente galhardo, coreto enfeitado.
Que tempo, já mal o lembra,
em que rodava no ar a menina,
amada, meia gente, sua sina
nascida de um amor grande,
enorme como a dor de a perder,
que por cá anda tudo aos pares.
Como um passo num precipício,
foi a querida menina, filha sem flores,
pesar tão profundo, escuros mares,
águas infinitas onde descança a vista,
vagueando a memória sem história
de apontar, roubada, sempre presente.
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