Sobre a hipocrisia no meio artístico
Arturo, pseudônimo de Felício Borba, é fotógrafo,
Nome é morador de rua,
Arturo está sem dinheiro e sem prestígio,
Nome está invisível e olha para os passantes com ar de profunda indiferença,
mas Arturo o avista e sua tragédia o impressiona.
Aproxima-se e o convence a deixar-se fotografar,
Nome olha para a câmara de Arturo, orgulha-se de sua utilidade repentina e segue obediente as orientações do fotógrafo.
Há muita euforia em Arturo; ele clica Nome muitas vezes.
Não apenas Nome e sua desgraça, mas também Amparado, seu cão.
Arturo termina o ensaio, agradece Nome e
dá-lhe uma nota de cinco reais.
- Tô sempre nessas redondezas, se o senhor fizer a gentileza de trazer uma fotografia dessas, só uma já basta. Bem, eu tô por aqui. Eu espero.
- Sim, vou tentar, sim. O senhor fica sempre por aqui, eu sei, eu tenho visto...
Os dois nunca mais voltarão a se encontrar
Arturo segue excitado, passará o dia, os próximos dias, em busca de outros Nomes.
Espera encontrá-los, e é importante que estejam fodidos, em condições deploráveis,
acompanhados por suas famílias, adoecidos, magros, sujos, embriagados.
Encontrou-os facilmente, admirando-se: "Como não os tinha visto antes?"
Seis meses depois, Arturo tem sua exposição itinerante.
Ele está orgulhoso e feliz: concede entrevistas, é visto, comentado e festejado no meio artístico.
Felício Borba fora, finalmente, assassinado pela miséria abominável de Nomes invisíveis que perambulam por aí.
Livres?
Tereza Duzai
Nome é morador de rua,
Arturo está sem dinheiro e sem prestígio,
Nome está invisível e olha para os passantes com ar de profunda indiferença,
mas Arturo o avista e sua tragédia o impressiona.
Aproxima-se e o convence a deixar-se fotografar,
Nome olha para a câmara de Arturo, orgulha-se de sua utilidade repentina e segue obediente as orientações do fotógrafo.
Há muita euforia em Arturo; ele clica Nome muitas vezes.
Não apenas Nome e sua desgraça, mas também Amparado, seu cão.
Arturo termina o ensaio, agradece Nome e
dá-lhe uma nota de cinco reais.
- Tô sempre nessas redondezas, se o senhor fizer a gentileza de trazer uma fotografia dessas, só uma já basta. Bem, eu tô por aqui. Eu espero.
- Sim, vou tentar, sim. O senhor fica sempre por aqui, eu sei, eu tenho visto...
Os dois nunca mais voltarão a se encontrar
Arturo segue excitado, passará o dia, os próximos dias, em busca de outros Nomes.
Espera encontrá-los, e é importante que estejam fodidos, em condições deploráveis,
acompanhados por suas famílias, adoecidos, magros, sujos, embriagados.
Encontrou-os facilmente, admirando-se: "Como não os tinha visto antes?"
Seis meses depois, Arturo tem sua exposição itinerante.
Ele está orgulhoso e feliz: concede entrevistas, é visto, comentado e festejado no meio artístico.
Felício Borba fora, finalmente, assassinado pela miséria abominável de Nomes invisíveis que perambulam por aí.
Livres?
Tereza Duzai
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Taberna do Sol Poente
Dodge Leal
A trilha da dor não é eterna, E me formei com diplomas... Meu Deus! — naquela taberna! Mas lá é a ruína dos axiomas.…
Julian Lael
Tudo o que pedi
Juntos, sem questionar,
no ritmo de Caribe clássico,
muito além dos petroglifos.
Ler com o que há de mais fino:
o casamento s…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Carta lacrada.
Esta carta lacrada em selo vermelho é para ti... que nunca irei conhecer... pois nunca me observou andando nas ruas desertas de minha cid…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Palavras escritas.
Tudo que escrevo se torna em vão - não há resposta das palavras escritas : com muito amor e muita alegria - satisfação. Tudo que penso …
Ademir D.Zanotelli *Poeta*