Quando minha filha nasceu, não me tornei mais uma desgraçada mãe solteira, me tornei PUTA; Quando apelei à justiça pelos direitos dela, fui rechaçada, uma velha professora me mandou criar vergonha na cara. "Sabia que ele era casado, agora quer tirar dinheiro da família do coitado? Ele tem filhos com a esposa, e ela não vai aceitar isso, guria! Tais doida?". Meus filhos receberam pensão, sim, de acordo com a legislação. É preciso honrar as conquistas de mulheres que se importam. Entendem?... Quando rejeitei candidatos a "salvar" minha reputação, todos diziam ter me comido e "saído fora"; Quando eu aparecia com um namorado, logo as vozes se erguiam uníssonas:: "Tá na cara que ele só quer ela pra comer e jogar o bagaço fora". Ora! Eu era uma PUTA MÃE SOLTEIRA e ele queria experimentar - certamente eu me prestava a todas as suas exigências sexuais; Quando entrei para a faculdade, não estava estudando nada, estava era fazendo programa. Inclusive nesse período descobri ter feito dois abortos. Sim, um aborto seria pouco, mas dois foram suficientes. Quando descobri tê-los feito - após uma série de ataques por consanguíneos, colegas de turma e de trabalho além de puta me tornei diabólica, um péssimo exemplo como professora; Quando eu esperava o ônibus sozinha num ponto deserto, por volta das 23 horas, para finalmente voltar para casa, na zona rural da cidade, triste por saber que encontraria minha filha dormindo, exausta depois de um dia de trabalho e estudo, percebi uma movimentação estranha, carros conduzidos por motoristas machos e fêmeas, buzinando, passando devagar. Alguns me ofereciam carona, me chamavam para um "passeio", ou só faziam um sinal para entrar e seguir. Havia conhecidas e conhecidos me espionando sorrateiramente, inclusive flagrei uma professora me fotografando... Acreditaram ter como provar: se tratava de uma PUTA PROFISSIONAL, e fazia programa enquanto minha mãe sofria cuidando da neta; Quando morei com um namorado e engravidei de meu segundo filho, a família dele me orientou a doar minha filha aos meus pais para que fosse possível seguir com o casamento, afinal ele era um rapaz jovem, bonito, solteiro, merecia alguém em situação semelhante... Foram três anos infernais, diversas separações e voltas. Ele rasgava minhas calcinhas se as considerasse pequenas; vestia minhas roupas rasgando-as também. Não demorou muito para eu me encontrar usando camisetas dele como vestido. Certa vez jogou um Baudelaire no lixo. "Qual a razão de eu ler aquelas merdas. Já não era louca o suficiente?". Por que permiti? Eu não permitia, eu o enfrentava, sempre o enfrentei, lutei muito, o Baudelaire não ficou no lixo, eu o li, Flores do Mal. Foi um período difícil de minha vida. Diziam para eu pensar no menino, diziam que ele mudaria, amadureceria, e eu persisti enquanto me foi possível, tornando o fim muito mais dramático. Eu não doei minha filha, segui minha vida com meus dois filhos; com meus dois filhos rejeitados por seus pais, crianças perplexas diante dos preconceitos incompreensíveis para mim, preconceitos também manifestados contra eles nas Unidades de Saúde, nas escolas, nos aniversários de sobrinhos - isso quando os convidavam. Quando eles foram para a escola, não faltou assédio, sondagens maliciosas, tentativas de manipulação contra mim, se iam de uniforme, não tinham outra roupa para vestir, voltavam com doações, peças enormes para eles, furadas, manchadas; se iam com roupas de passeio, recebiam advertência para eu assinar - três advertências para uma suspensão, avisavam. Minhas crianças tinham roupas, se fosse o caso, eu deixaria de comprar para mim, elas foram sempre muito bem cuidadas.
Meu filho terminou o ensino médio noutra cidade, pois, quando estudou na cidade onde nasceu, reprovou, por não aceitar as investidas contra ele, contra mim, contra nós. De personalidade semelhante a minha, se declarou ateu aos dez anos e isso os revoltou ainda mais, quando fui chamada à escola para conversar sobre o assunto. Se era verdade ou ele estava mentindo. Eu respondi: sou ateia, ele pensa como eu, talvez pense diferente um dia, não sou eu quem irá decidir, e decidiu ser ateu - e continua ateu. Sobre a reprovação, ele havia adiantado um ano de sua vida escolar com a implantação do ensino fundamental de nove anos, e ficou tudo certo, claro, para a decepção da perversidade inserida no meio pedagógico. Covardes! Lembro-me dos rótulos impressos por alguns professores: "o filho da outra, o debochado...". Quando minha filha engravidou, solteira como eu, logo teve início uma série de ataques idênticos aos sofridos por mim. Afinal a história deveria se repetir. "Viva!". Mas nós dissemos: NÃO! E NÃO! E NÃO! Porque todas as famílias que conhecíamos tinham, e têm, suas PUTAS; algumas são putas exclusivas, de um machista só. Vivem infelizes, mas se dizem casadas e de respeito. Muitas são estupradas com frequência por seus maridos, mesmo enquanto dormem, depois de uma jornada dupla, tripla... de trabalho - Preciso dizer: o estupro durante o sono é uma barbárie ignorada, muitas vezes comentada com normalidade entre as heroínas do lar como algo natural, afinal é seu cônjuge quem a está estuprando, são mulheres casadas, mães do lar. Mulheres de respeito raramente são estupradas, isso é mais comum entre putas, putinhas, putonas, como me definiam. Aliás, algumas dessas digníssimas senhoras são putas religiosas, fodem com vários servos de Deus em nome de Jesus, e gozam gritando: Aleluia! Aleluia! Outras são putas que adoram sair com rapazes mais jovens, com quem vivem os melhores momentos de suas vidas e têm seus melhores orgasmos, ou únicos, pois costumam fingir para seus maridos em suas transas à papai e mamãe. São cúmplices perniciosas do patriarcado, por isso jamais as defendo. Muitas delas me apedrejaram o suficiente para que eu tivesse certeza do quanto são repugnantes, perversas, infelizes, invejosas... Sórdidas a ponto de envolver outra mulher nas mais terríveis experiências em nome de uma moral falsa, catastrófica, criminosa. Seus maridos infiéis, não raramente, fodem com outras mulheres e outros homens. Se sabem ou suspeitam? Muitas, sim, mas fingem, em benefício próprio, que não. Esses potros são muitas vezes os principais provedores da casa, Por isso, é deles o melhor carro; partem deles as principais decisões da família, de suas vidas. Por fim, quando perceberam o quanto eu havia me fortalecido ao me defender e enfrentar suas conspirações veladas, passaram a agir de um modo bastante vulgar, mas sobre isso, nem irei comentar, é desprezível, embora cômico. Elas continuam a defender suas rePUTAções. Assim como eu, uma ex-puta, defendo as putas, contra essas tais inimPUTÁveis.
Quando minha filha nasceu, não me tornei mais uma desgraçada mãe solteira, me tornei PUTA; Quando apelei à justiça pelos direitos dela, fui rechaçada, uma velha professora me mandou criar vergonha na cara. "Sabia que ele era casado, agora quer tirar dinheiro da família do coitado? Ele tem filhos com a esposa, e ela não vai aceitar isso, guria! Tais doida?". Meus filhos receberam pensão, sim, de acordo com a legislação. É preciso honrar as conquistas de mulheres que se importam. Entendem?... Quando rejeitei candidatos a "salvar" minha reputação, todos diziam ter me comido e "saído fora"; Quando eu aparecia com um namorado, logo as vozes se erguiam uníssonas:: "Tá na cara que ele só quer ela pra comer e jogar o bagaço fora". Ora! Eu era uma PUTA MÃE SOLTEIRA e ele queria experimentar - certamente eu me prestava a todas as suas exigências sexuais; Quando entrei para a faculdade, não estava estudando nada, estava era fazendo programa. Inclusive nesse período descobri ter feito dois abortos. Sim, um aborto seria pouco, mas dois foram suficientes. Quando descobri tê-los feito - após uma série de ataques por consanguíneos, colegas de turma e de trabalho além de puta me tornei diabólica, um péssimo exemplo como professora; Quando eu esperava o ônibus sozinha num ponto deserto, por volta das 23 horas, para finalmente voltar para casa, na zona rural da cidade, triste por saber que encontraria minha filha dormindo, exausta depois de um dia de trabalho e estudo, percebi uma movimentação estranha, carros conduzidos por motoristas machos e fêmeas, buzinando, passando devagar. Alguns me ofereciam carona, me chamavam para um "passeio", ou só faziam um sinal para entrar e seguir. Havia conhecidas e conhecidos me espionando sorrateiramente, inclusive flagrei uma professora me fotografando... Acreditaram ter como provar: se tratava de uma PUTA PROFISSIONAL, e fazia programa enquanto minha mãe sofria cuidando da neta; Quando morei com um namorado e engravidei de meu segundo filho, a família dele me orientou a doar minha filha aos meus pais para que fosse possível seguir com o casamento, afinal ele era um rapaz jovem, bonito, solteiro, merecia alguém em situação semelhante... Foram três anos infernais, diversas separações e voltas. Ele rasgava minhas calcinhas se as considerasse pequenas; vestia minhas roupas rasgando-as também. Não demorou muito para eu me encontrar usando camisetas dele como vestido. Certa vez jogou um Baudelaire no lixo. "Qual a razão de eu ler aquelas merdas. Já não era louca o suficiente?". Por que permiti? Eu não permitia, eu o enfrentava, sempre o enfrentei, lutei muito, o Baudelaire não ficou no lixo, eu o li, Flores do Mal. Foi um período difícil de minha vida. Diziam para eu pensar no menino, diziam que ele mudaria, amadureceria, e eu persisti enquanto me foi possível, tornando o fim muito mais dramático. Eu não doei minha filha, segui minha vida com meus dois filhos; com meus dois filhos rejeitados por seus pais, crianças perplexas diante dos preconceitos incompreensíveis para mim, preconceitos também manifestados contra eles nas Unidades de Saúde, nas escolas, nos aniversários de sobrinhos - isso quando os convidavam. Quando eles foram para a escola, não faltou assédio, sondagens maliciosas, tentativas de manipulação contra mim, se iam de uniforme, não tinham outra roupa para vestir, voltavam com doações, peças enormes para eles, furadas, manchadas; se iam com roupas de passeio, recebiam advertência para eu assinar - três advertências para uma suspensão, avisavam. Minhas crianças tinham roupas, se fosse o caso, eu deixaria de comprar para mim, elas foram sempre muito bem cuidadas.
Meu filho terminou o ensino médio noutra cidade, pois, quando estudou na cidade onde nasceu, reprovou, por não aceitar as investidas contra ele, contra mim, contra nós. De personalidade semelhante a minha, se declarou ateu aos dez anos e isso os revoltou ainda mais, quando fui chamada à escola para conversar sobre o assunto. Se era verdade ou ele estava mentindo. Eu respondi: sou ateia, ele pensa como eu, talvez pense diferente um dia, não sou eu quem irá decidir, e decidiu ser ateu - e continua ateu. Sobre a reprovação, ele havia adiantado um ano de sua vida escolar com a implantação do ensino fundamental de nove anos, e ficou tudo certo, claro, para a decepção da perversidade inserida no meio pedagógico. Covardes! Lembro-me dos rótulos impressos por alguns professores: "o filho da outra, o debochado...". Quando minha filha engravidou, solteira como eu, logo teve início uma série de ataques idênticos aos sofridos por mim. Afinal a história deveria se repetir. "Viva!". Mas nós dissemos: NÃO! E NÃO! E NÃO! Porque todas as famílias que conhecíamos tinham, e têm, suas PUTAS; algumas são putas exclusivas, de um machista só. Vivem infelizes, mas se dizem casadas e de respeito. Muitas são estupradas com frequência por seus maridos, mesmo enquanto dormem, depois de uma jornada dupla, tripla... de trabalho - Preciso dizer: o estupro durante o sono é uma barbárie ignorada, muitas vezes comentada com normalidade entre as heroínas do lar como algo natural, afinal é seu cônjuge quem a está estuprando, são mulheres casadas, mães do lar. Mulheres de respeito raramente são estupradas, isso é mais comum entre putas, putinhas, putonas, como me definiam. Aliás, algumas dessas digníssimas senhoras são putas religiosas, fodem com vários servos de Deus em nome de Jesus, e gozam gritando: Aleluia! Aleluia! Outras são putas que adoram sair com rapazes mais jovens, com quem vivem os melhores momentos de suas vidas e têm seus melhores orgasmos, ou únicos, pois costumam fingir para seus maridos em suas transas à papai e mamãe. São cúmplices perniciosas do patriarcado, por isso jamais as defendo. Muitas delas me apedrejaram o suficiente para que eu tivesse certeza do quanto são repugnantes, perversas, infelizes, invejosas... Sórdidas a ponto de envolver outra mulher nas mais terríveis experiências em nome de uma moral falsa, catastrófica, criminosa. Seus maridos infiéis, não raramente, fodem com outras mulheres e outros homens. Se sabem ou suspeitam? Muitas, sim, mas fingem, em benefício próprio, que não. Esses potros são muitas vezes os principais provedores da casa, Por isso, é deles o melhor carro; partem deles as principais decisões da família, de suas vidas. Por fim, quando perceberam o quanto eu havia me fortalecido ao me defender e enfrentar suas conspirações veladas, passaram a agir de um modo bastante vulgar, mas sobre isso, nem irei comentar, é desprezível, embora cômico. Elas continuam a defender suas rePUTAções. Assim como eu, uma ex-puta, defendo as putas, contra essas tais inimPUTÁveis.
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PUTA
Quando minha filha nasceu, não me tornei mais uma desgraçada mãe solteira, me tornei PUTA; Quando apelei à justiça pelos direitos dela, fui rechaçada, uma velha professora me mandou criar vergonha na cara. "Sabia que ele era casado, agora quer tirar dinheiro da família do coitado? Ele tem filhos com a esposa, e ela não vai aceitar isso, guria! Tais doida?". Meus filhos receberam pensão, sim, de acordo com a legislação. É preciso honrar as conquistas de mulheres que se importam. Entendem?... Quando rejeitei candidatos a "salvar" minha reputação, todos diziam ter me comido e "saído fora"; Quando eu aparecia com um namorado, logo as vozes se erguiam uníssonas:: "Tá na cara que ele só quer ela pra comer e jogar o bagaço fora". Ora! Eu era uma PUTA MÃE SOLTEIRA e ele queria experimentar - certamente eu me prestava a todas as suas exigências sexuais; Quando entrei para a faculdade, não estava estudando nada, estava era fazendo programa. Inclusive nesse período descobri ter feito dois abortos. Sim, um aborto seria pouco, mas dois foram suficientes. Quando descobri tê-los feito - após uma série de ataques por consanguíneos, colegas de turma e de trabalho além de puta me tornei diabólica, um péssimo exemplo como professora; Quando eu esperava o ônibus sozinha num ponto deserto, por volta das 23 horas, para finalmente voltar para casa, na zona rural da cidade, triste por saber que encontraria minha filha dormindo, exausta depois de um dia de trabalho e estudo, percebi uma movimentação estranha, carros conduzidos por motoristas machos e fêmeas, buzinando, passando devagar. Alguns me ofereciam carona, me chamavam para um "passeio", ou só faziam um sinal para entrar e seguir. Havia conhecidas e conhecidos me espionando sorrateiramente, inclusive flagrei uma professora me fotografando... Acreditaram ter como provar: se tratava de uma PUTA PROFISSIONAL, e fazia programa enquanto minha mãe sofria cuidando da neta; Quando morei com um namorado e engravidei de meu segundo filho, a família dele me orientou a doar minha filha aos meus pais para que fosse possível seguir com o casamento, afinal ele era um rapaz jovem, bonito, solteiro, merecia alguém em situação semelhante... Foram três anos infernais, diversas separações e voltas. Ele rasgava minhas calcinhas se as considerasse pequenas; vestia minhas roupas rasgando-as também. Não demorou muito para eu me encontrar usando camisetas dele como vestido. Certa vez jogou um Baudelaire no lixo. "Qual a razão de eu ler aquelas merdas. Já não era louca o suficiente?". Por que permiti? Eu não permitia, eu o enfrentava, sempre o enfrentei, lutei muito, o Baudelaire não ficou no lixo, eu o li, Flores do Mal. Foi um período difícil de minha vida. Diziam para eu pensar no menino, diziam que ele mudaria, amadureceria, e eu persisti enquanto me foi possível, tornando o fim muito mais dramático. Eu não doei minha filha, segui minha vida com meus dois filhos; com meus dois filhos rejeitados por seus pais, crianças perplexas diante dos preconceitos incompreensíveis para mim, preconceitos também manifestados contra eles nas Unidades de Saúde, nas escolas, nos aniversários de sobrinhos - isso quando os convidavam. Quando eles foram para a escola, não faltou assédio, sondagens maliciosas, tentativas de manipulação contra mim, se iam de uniforme, não tinham outra roupa para vestir, voltavam com doações, peças enormes para eles, furadas, manchadas; se iam com roupas de passeio, recebiam advertência para eu assinar - três advertências para uma suspensão, avisavam. Minhas crianças tinham roupas, se fosse o caso, eu deixaria de comprar para mim, elas foram sempre muito bem cuidadas.
Meu filho terminou o ensino médio noutra cidade, pois, quando estudou na cidade onde nasceu, reprovou, por não aceitar as investidas contra ele, contra mim, contra nós. De personalidade semelhante a minha, se declarou ateu aos dez anos e isso os revoltou ainda mais, quando fui chamada à escola para conversar sobre o assunto. Se era verdade ou ele estava mentindo. Eu respondi: sou ateia, ele pensa como eu, talvez pense diferente um dia, não sou eu quem irá decidir, e decidiu ser ateu - e continua ateu. Sobre a reprovação, ele havia adiantado um ano de sua vida escolar com a implantação do ensino fundamental de nove anos, e ficou tudo certo, claro, para a decepção da perversidade inserida no meio pedagógico. Covardes! Lembro-me dos rótulos impressos por alguns professores: "o filho da outra, o debochado...". Quando minha filha engravidou, solteira como eu, logo teve início uma série de ataques idênticos aos sofridos por mim. Afinal a história deveria se repetir. "Viva!". Mas nós dissemos: NÃO! E NÃO! E NÃO! Porque todas as famílias que conhecíamos tinham, e têm, suas PUTAS; algumas são putas exclusivas, de um machista só. Vivem infelizes, mas se dizem casadas e de respeito. Muitas são estupradas com frequência por seus maridos, mesmo enquanto dormem, depois de uma jornada dupla, tripla... de trabalho - Preciso dizer: o estupro durante o sono é uma barbárie ignorada, muitas vezes comentada com normalidade entre as heroínas do lar como algo natural, afinal é seu cônjuge quem a está estuprando, são mulheres casadas, mães do lar. Mulheres de respeito raramente são estupradas, isso é mais comum entre putas, putinhas, putonas, como me definiam. Aliás, algumas dessas digníssimas senhoras são putas religiosas, fodem com vários servos de Deus em nome de Jesus, e gozam gritando: Aleluia! Aleluia! Outras são putas que adoram sair com rapazes mais jovens, com quem vivem os melhores momentos de suas vidas e têm seus melhores orgasmos, ou únicos, pois costumam fingir para seus maridos em suas transas à papai e mamãe. São cúmplices perniciosas do patriarcado, por isso jamais as defendo. Muitas delas me apedrejaram o suficiente para que eu tivesse certeza do quanto são repugnantes, perversas, infelizes, invejosas... Sórdidas a ponto de envolver outra mulher nas mais terríveis experiências em nome de uma moral falsa, catastrófica, criminosa. Seus maridos infiéis, não raramente, fodem com outras mulheres e outros homens. Se sabem ou suspeitam? Muitas, sim, mas fingem, em benefício próprio, que não. Esses potros são muitas vezes os principais provedores da casa, Por isso, é deles o melhor carro; partem deles as principais decisões da família, de suas vidas. Por fim, quando perceberam o quanto eu havia me fortalecido ao me defender e enfrentar suas conspirações veladas, passaram a agir de um modo bastante vulgar, mas sobre isso, nem irei comentar, é desprezível, embora cômico. Elas continuam a defender suas rePUTAções. Assim como eu, uma ex-puta, defendo as putas, contra essas tais inimPUTÁveis.
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PU_TA
Quando minha filha nasceu, não me tornei mais uma desgraçada mãe solteira, me tornei PUTA; Quando apelei à justiça pelos direitos dela, fui rechaçada, uma velha professora me mandou criar vergonha na cara. "Sabia que ele era casado, agora quer tirar dinheiro da família do coitado? Ele tem filhos com a esposa, e ela não vai aceitar isso, guria! Tais doida?". Meus filhos receberam pensão, sim, de acordo com a legislação. É preciso honrar as conquistas de mulheres que se importam. Entendem?... Quando rejeitei candidatos a "salvar" minha reputação, todos diziam ter me comido e "saído fora"; Quando eu aparecia com um namorado, logo as vozes se erguiam uníssonas:: "Tá na cara que ele só quer ela pra comer e jogar o bagaço fora". Ora! Eu era uma PUTA MÃE SOLTEIRA e ele queria experimentar - certamente eu me prestava a todas as suas exigências sexuais; Quando entrei para a faculdade, não estava estudando nada, estava era fazendo programa. Inclusive nesse período descobri ter feito dois abortos. Sim, um aborto seria pouco, mas dois foram suficientes. Quando descobri tê-los feito - após uma série de ataques por consanguíneos, colegas de turma e de trabalho além de puta me tornei diabólica, um péssimo exemplo como professora; Quando eu esperava o ônibus sozinha num ponto deserto, por volta das 23 horas, para finalmente voltar para casa, na zona rural da cidade, triste por saber que encontraria minha filha dormindo, exausta depois de um dia de trabalho e estudo, percebi uma movimentação estranha, carros conduzidos por motoristas machos e fêmeas, buzinando, passando devagar. Alguns me ofereciam carona, me chamavam para um "passeio", ou só faziam um sinal para entrar e seguir. Havia conhecidas e conhecidos me espionando sorrateiramente, inclusive flagrei uma professora me fotografando... Acreditaram ter como provar: se tratava de uma PUTA PROFISSIONAL, e fazia programa enquanto minha mãe sofria cuidando da neta; Quando morei com um namorado e engravidei de meu segundo filho, a família dele me orientou a doar minha filha aos meus pais para que fosse possível seguir com o casamento, afinal ele era um rapaz jovem, bonito, solteiro, merecia alguém em situação semelhante... Foram três anos infernais, diversas separações e voltas. Ele rasgava minhas calcinhas se as considerasse pequenas; vestia minhas roupas rasgando-as também. Não demorou muito para eu me encontrar usando camisetas dele como vestido. Certa vez jogou um Baudelaire no lixo. "Qual a razão de eu ler aquelas merdas. Já não era louca o suficiente?". Por que permiti? Eu não permitia, eu o enfrentava, sempre o enfrentei, lutei muito, o Baudelaire não ficou no lixo, eu o li, Flores do Mal. Foi um período difícil de minha vida. Diziam para eu pensar no menino, diziam que ele mudaria, amadureceria, e eu persisti enquanto me foi possível, tornando o fim muito mais dramático. Eu não doei minha filha, segui minha vida com meus dois filhos; com meus dois filhos rejeitados por seus pais, crianças perplexas diante dos preconceitos incompreensíveis para mim, preconceitos também manifestados contra eles nas Unidades de Saúde, nas escolas, nos aniversários de sobrinhos - isso quando os convidavam. Não há delírios aqui! Quando eles foram para a escola, não faltou assédio, sondagens maliciosas, tentativas de manipulação contra mim, se iam de uniforme, não tinham outra roupa para vestir, voltavam com doações, peças enormes para eles, furadas, manchadas; se iam com roupas de passeio, recebiam advertência para eu assinar - três advertências para uma suspensão, avisavam. Minhas crianças tinham roupas, se fosse o caso, eu deixaria de comprar para mim, elas foram muito bem cuidadas sempre. Meu filho terminou o ensino médio noutra cidade, pois, quando estudou na cidade onde nasceu, reprovou, por não aceitar as investidas contra ele, contra mim, contra nós. De personalidade semelhante a minha, se declarou ateu aos dez anos e isso os revoltou ainda mais, quando fui chamada à escola para conversar sobre o assunto. Se era verdade ou ele estava mentindo. Eu respondi: sou ateia, ele pensa como eu, talvez pense diferente um dia, não sou eu quem irá decidir, e decidiu ser ateu - e continua ateu. Sobre a reprovação, ele havia adiantado um ano de sua vida escolar com a implantação do ensino fundamental de nove anos, e ficou tudo certo, claro, para a decepção da perversidade inserida no meio pedagógico. Covardes! Lembro-me dos rótulos impressos por alguns professores: "o filho da outra, o debochado...". Quando minha filha engravidou, solteira como eu, logo teve início uma série de ataques idênticos aos sofridos por mim. Afinal a história deveria se repetir. "Viva!". Mas nós dissemos: NÃO! E NÃO! E NÃO! Porque todas as famílias que conhecíamos tinham, e têm, suas PUTAS; algumas são putas exclusivas, de um machista só. Vivem infelizes, mas se dizem casadas e de respeito. Muitas são estupradas com frequência por seus maridos, mesmo enquanto dormem, depois de uma jornada dupla, tripla... de trabalho - Preciso dizer: o estupro durante o sono é uma barbárie ignorada, muitas vezes comentada com normalidade entre as heroínas do lar como algo natural, afinal é seu cônjuge quem a está estuprando, são mulheres casadas, mães do lar. Mulheres de respeito raramente são estupradas, isso é mais comum entre putas, putinhas, putonas... Aliás, algumas dessas digníssimas senhoras são putas religiosas, fodem com vários servos de Deus em nome de Jesus, e gozam gritando: Aleluia! Aleluia! Outras são putas que adoram sair com rapazes mais jovens, com quem vivem os melhores momentos de suas vidas e têm seus melhores orgasmos, ou únicos, pois costumam fingir para seus maridos em suas transas à papai e mamãe. São cúmplices perniciosas do patriarcado, por isso jamais as defendo. Muitas delas me apedrejaram o suficiente para que eu tivesse certeza do quanto são repugnantes, perversas, infelizes, invejosas... Sórdidas a ponto de envolver outra mulher nas mais terríveis experiências em nome de uma moral falsa, catastrófica, criminosa. Seus maridos infiéis, não raramente, fodem com outras mulheres e outros homens. Se sabem ou suspeitam? Muitas, sim, mas fingem, em benefício próprio, que não. Esses potros são muitas vezes os principais provedores da casa, Por isso, é deles o melhor carro; partem deles as principais decisões da família, de suas vidas. Por fim, quando perceberam o quanto eu havia me fortalecido ao me defender e enfrentar suas conspirações veladas, passaram a agir de um modo bastante vulgar, mas sobre isso, nem irei comentar, é desprezível, embora cômico. Elas continuam a defender suas rePUTAções. Assim como eu, uma ex-puta, defendo as putas, contra essas tais inimPUTÁveis.
344
Masturbação, Divina Masturbação
Você conhece a arte da masturbação feminina? Se não, esqueça tudo o que já ouviu sobre conhecer a si mesma. Liberte-se definitivamente. Vá para um lugar tranquilo onde você se sinta à vontade. Será preciso concentrar-se para tornar o momento mais excitante, Grande sacerdotisa do prazer. Succubus! Succubus! Succubus!... Esse será um grande passo para a sua independência sexual. Remodele seus pensamentos e, acredite: você pode se divertir muito sozinha; Você tem a sua Swadhistana. Comece acariciando-se len ta men te... Massageie toda a vagina até descobrir o ponto mais excitante. Espumas de banho, músicas e fantasias eróticas aumentarão sua libido. Use as duas mãos: uma para acaricia-la e outra para a penetrá-la, Você tem pontos erógenos espalhados por todo o corpo, Descubra-os por meio da automassagem com óleos e cremes afrodisíacos. Deslize delicadamente suas mãos pela virilha, coxas, nádegas; Suba devagar passeando pelas costas, barriga, seios, bicos dos seios, pescoço... Acaricie sua pele, sem pressa, para identificar seus pontos mais voluptuosos. Você também pode deitar-se com a barriga para cima, Ou sentar-se com as pernas dobradas deixando-a acessível às suas mãos. Travesseiros e duchas são excelentes masturbadores. Cavalgue friccionando seu clitóris sobre o travesseiro, ou estimule-o com jatos de água sob o chuveiro. Algumas mulheres preferem jatos fortes; outras preferem sentir a água tocá-las suavemente. Como são deliciosas as minhas carícias! Meus dedos estão cobertos de mirra. Eles são meus namorados, meus amantes; O meu suor é a melhor bebida, O meu perfume é o mais agradável que existe. O clímax é doce, natural e solitário. Uma dádiva! Uma dádiva! Uma Dádiva! [...] Quem são aquelas que parecem o nascer do dia, Belas como a lua, brilhantes como o sol e luminosas como o céu cheio de estrelas? - Katherine Mansfield, Florbela Espanca, Alejandra Pizarnik, Anne Sexton, Virgínia Woolf.
565
Condor
A noite se encheu de estrelas mortas, estrelas de sombra, filhas, netas, bisnetas de meus antepassados; esposas de Deus, amantes de Maria, penetradas e lambidas. Invejei-as, clamei pelo sêmen divino. Desnudei-me, santifiquei-me. Um minuto de silêncio, um sussurro débil, e renasci como um poema oculto no ventre de uma casa vazia, presa à sombra de um verso nu. Um dia, talvez, Deus haverá de me comer.
523
O amor antes do estuprador
Façam amor enquanto podem se tocar, Enquanto podem exercer o direito de amar; Enquanto ainda é possível amar sem serem vigiados, Usem todos os seus membros, sem pudores; Unam suas respirações, seus suores, suas peles, seus pelos; Sejam libidinosos com suas mãos, unhas, lábios, dentes, língua... Deixem marcas do amor em seus corpos: chupões, mordidas, arranhões... A luxúria é o mais sublime pecado da felicidade. Por isso, amem com alegria, Antes que sejam estuprados por desconhecidos, Antes que adentrem suas casas, seus quartos, suas camas armados com suas pistolas, suas bombas, suas bíblias. Demorem-se no amor sem se preocupar com os vizinhos, com o ranger da cama, com seus gemidos, com seus gritos de prazer ao gozar. Sejam promíscuos, imorais... Devorem cada partícula do amor. Sejam muito felizes antes de o estuprador chegar.
259
Como é viver e respirar minha vida?
Em meus piores pesadelos, Eu os vejo orar e gritar escandalosamente clamando por minha desgraça, por minha pobreza, doença e morte. Um terrível conflito que atormenta suas mentes, Enquanto eu tento ignorar todos os sinais e ser o melhor que consigo ser. Porque não há nada de errado comigo, A não ser ter-me tornado o Cristo de uma família de rosas carnívoras; Para sempre em dívida com seus deuses implacáveis. Eu sei, vocês pretendem ter uma sala de estar no útero da Grande Mãe, E temem permanecer trancafiados no limbo dos condenados, Um lugar planejado especialmente para vocês, Desde que se deixaram transformar em instrumentos sociais utilitários, Atraídos pelo magnetismo de suas próprias armadilhas. Por que gritam até meus ouvidos sangrarem? - A culpa é sua! A culpa é sua! A culpa é sua! Não. A culpa não é minha! Vocês são incapazes de pensar por si! Seus pensamentos são terceirizados, assim como tudo o que deles deriva. À deriva. Vejo claramente as mãos sujas de seus descendentes, Seus corpos são túmulos construídos por suas maldades, Pobres discípulos perpetuadores de seus orgulho, ódio, ambição, inveja, ostentação, insatisfação... Se eu pudesse livrá-los de seus tumores, se eles desejassem se tratar... Mas, realmente, minha esperança perdeu-se ao longo dos anos, enquanto vocês apodreciam e os violavam para, em seguida, lançá-los ao mundo como demônios crucificados. Ninguém morrerá por seus pecados! Ninguém queimará no fogo do inferno por seus pecados. O slogan sagrado é uma grande mentira.
280
Maria Morta
Navego em barcos brancos, reconstituindo-me glóbulo a glóbulo, a buscar proteção sob asas libertinas, tornando-me uma visão fantasmagórica apavorante, brutal como a morte, cinza como o mármore; sem beijo, sem língua, sem sexo. Uma prostituta, uma santa, uma cruz.
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Sobre a hipocrisia no meio artístico
Arturo, pseudônimo de Felício Borba, é fotógrafo, Nome é morador de rua, Arturo está sem dinheiro e sem prestígio, Nome está invisível e olha para os passantes com ar de profunda indiferença, mas Arturo o avista e sua tragédia o impressiona. Aproxima-se e o convence a deixar-se fotografar, Nome olha para a câmara de Arturo, orgulha-se de sua utilidade repentina e segue obediente as orientações do fotógrafo. Há muita euforia em Arturo; ele clica Nome muitas vezes. Não apenas Nome e sua desgraça, mas também Amparado, seu cão. Arturo termina o ensaio, agradece Nome e dá-lhe uma nota de cinco reais. - Tô sempre nessas redondezas, se o senhor fizer a gentileza de trazer uma fotografia dessas, só uma já basta. Bem, eu tô por aqui. Eu espero. - Sim, vou tentar, sim. O senhor fica sempre por aqui, eu sei, eu tenho visto... Os dois nunca mais voltarão a se encontrar Arturo segue excitado, passará o dia, os próximos dias, em busca de outros Nomes. Espera encontrá-los, e é importante que estejam fodidos, em condições deploráveis, acompanhados por suas famílias, adoecidos, magros, sujos, embriagados. Encontrou-os facilmente, admirando-se: "Como não os tinha visto antes?" Seis meses depois, Arturo tem sua exposição itinerante. Ele está orgulhoso e feliz: concede entrevistas, é visto, comentado e festejado no meio artístico. Felício Borba fora, finalmente, assassinado pela miséria abominável de Nomes invisíveis que perambulam por aí. Livres?
Tereza Duzai
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Sobre ser Puta
Não, Rute, não estás desgraçada! Não há desonra alguma em ser considerada puta, Pode uma mulher ser socialmente puta por sua amabilidade não preconceituosa, Por gostar de vestir-se com pouco pano, Por dizer o que pensa e ir onde bem entende, Por sua insaciedade sexual, Pode, imagine o absurdo, Rita, uma mulher ser considerada puta por ser tão bondosa a ponto de dar-se a muitos, indistintamente; Sem falar das que por serem inseguras ou exigentes demais passam a vida em busca do relacionamento perfeito, tornando-se vítimas da má fama e do escarninho vulgar; Há incontáveis e inomináveis putas no mundo. Umas anônimas, outras famosas, Umas imbecis, outras geniais, Umas divertidas, outras enfadonhas, Abençoadas putas religiosas, Exemplares putas educadoras, Poderosas putas empresárias, Respeitáveis putas esposas, Adoráveis putas namoradas, Ordinárias putas pobres, Nobilíssimas putas ricas, Bondosas e malvadas, vítimas e assassinas, leais e desleais, solidárias e egoístas... Alices, Patrícias, Anas, Sheilas, Jaquelines, Terezas, Aparecidas, Marianas; Janaínas, Lúcias, Letícias, Adrianas, Vânias, Susanas, Leias, Cátias, Elizabetes, Michelles; Carlas, Cecílias, Helenas, Sandras, Alessandras, Cristines, Cristianes, Carolines... Basta prestar a atenção, Rosa!