Um Rei nunca coronado (utopia)
Quem mais vale, se os vivos se os partidos?
Tenho pensado e pesado e matutado,
Não sou um coitado que se debruça sobre alto passadio
Nem um arredio de franja de reflexão ociosa
Não é questão caprichosa, é uma opção ponderosa,
Pois nenhum pode ter primazia sem se quebrar a possível utopia
De existirmos nós simultánea e não sucessivamente.
Escravos da seta do tempo impávido,
Que nos torna presa de um ser-se ávido
Pelo hic et nunc, o carpe diem,
Pois que diferença fará um dia, um dia,
Se a diferença fores tu meu amor que te espero,
Se a diferença for um dia de limpa energia,
Ou o olhar de esperança de todas as crianças dentro da mesma dança?
Quebrar a seta desse impávido sujeito
Desse rei nunca coronado,
Um dia há-de ser destronado,
Conceito ultrapassado dum existir partilhado!
(horizonte do evento, revela o teu momento, desvela a tua corona!)
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