À beira da solidão

A manhã solta uma ventania de solidões agrestes
Flui dentro daquela hora estatelada num segundo
Diria quase funesto, para depois se perder desintegrada
À beira de uma temível emoção tão depauperada
Lacrimeja o dia sombrio, numa enorme comoção
Embriaga-se de tantas lágrimas quase dilaceradas
Fica mudo e quedo ostentando só uma tentação
Refastelada na guarita de muitas ilusões desesperadas
Sem interrogações, exclamações e outras considerações
Seduzo a memória repleta de saudades obsoletas,
Oh, abençoada rima trajada com palavras inspiradas e irrequietas
Onde se acasalam estes silêncios que um eco viril depois espoleta
Frederico de Castro
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