A pira do amor
Tomou a si manter acesa a chama,
velar o Amor, ferir a velha norma,
ao transpassar a margem soberana
e transgredir as regras tolas, mornas.
A solidão quer luz e tece o drama,
na pira acesa, astuta plataforma!
A confissão de eterno nos engana
e o que partiu, inteiro não retorna.
Assim, Cupido tem nas suas flechas
a ponta ardente, que nos fere a carne
e sempre acerta o alvo que elegeu.
Em meu destino, sempre que as desfecha,
atinge o alvo (não posso salvar-me!)
e acende em mim o amor que é todo seu.
Nilza Azzi
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