Pausas
Na fonte das certezas e dos medos
escorrem meus silêncios, minhas pausas,
enquanto uma esperança morre cedo
e a minha solidão tem sombras rasas.
Esgotam-se as nascentes, calam vozes,
permutam-se as vontades por promessas...
As horas cada vez vão mais velozes
e apontam as loucuras inconfessas.
Na rua um carro breca, em sobressalto,
entendo que o perigo é sempre esperto.
O som de uma buzina é qual arauto
e o sonho me adverte de algo incerto.
O dia ─ mais um dia ─ vai ao meio
e deixa em minha alma outro receio...
Nilza Azzi
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