Se a dor que dói em mim, assim doesse,
doída, como um nada, a doer tanto,
talvez doera só pelo interesse
de que, por fim, não doeria o pranto.

Se a tua ausência já doeu bastante
e doerá, por certo, eternamente,
que doa, de uma vez, lacrimejante,
qual doeriam lágrimas da mente.

E quando a tua dor em mim doía,
tal qual doeram todas, vezes mil,
deixei doerem por compreensão.

Assim vivo o dorido dia a dia,
embora já me doam, dor gentil,
as dores que eu bem sei que doerão.

Nilza Azzi
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