DUCHA CORONA [Manoel Serrão]
Reboados os trovões.
Relampejam raios.
Derreiam trombas d’águas...
E eis que despenca de quatro,
A paixão das nuvens pesadas.
Ao passo que serenada a tormenta,
Goteja, opila, pinga, gota a gota,
Esvazia-se da "corona" em banho-maria
A febre terçã do amor.
Ó quase podia jurar!
Só não a dizia, sabia.
Desliza hacia pela boca do ralo...
O teu coração que amaria, nunca aprendera amar!
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