Ao Senhor do tempo
─ Dizei-me, ó senhor das minhas horas,
tomais a mais alguém, além de mim,
nos braços do compasso, em grão festim,
a dança dessas marcas tão sonoras?
─ Ingênua criatura, tenho sim,
no baile, os convidados mais seletos,
que ouvem com cuidado os meus decretos;
jamais ouvi clamar que sou ruim!
─ Oh! Não! Eu não pretendo ser ousada
e, sei, vossa presença é quase nada,
porquanto vos percebo como escasso.
─ Não vês que sou apenas uma parte?
Cansei de resolver tudo sozinho!
Sugiro que reclames com o Espaço...
Nilza Azzi
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