Destas e de outras
Destas e de outras sombras desespero:
quero ter comigo a dor que menos doa.
Quem vai perceber que a vida vai-se embora?
Vem! Comigo chora
e que não seja à toa.
Destas e de outras lágrimas não falo!
Corre o longo inverno... Súbita garoa.
Foi-se a ilusão e nada é mais, sincero;
mesmo assim espero
um som que não ressoa...
Destas e de outras lembro as despedidas;
da dor que existe em mim, nada mais destoa.
Na máscara a impressão de algo a resguardar-se
– e o rubor da face
diz que não sou boa.
Nilza Azzi
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