Entremeios
se ao romper a teia fina
dos campos do silêncio
– o limbo eterno das palavras –
pudesse tocar-te a alma
e na névoa do sonho
a brancura fosse azul
os horizontes palpáveis
pela verdade sem limites
de amanheceres claros
com seus começos de dizer
sobre a inútil direção do destino
entregue aos vãos do precipício...
se por um quase
tudo fugisse ao fim previsto
e a sensação de luz
fosse romper escuros
– nada mais que um fóton –
a voz seria espelho do vazio.
Nilza Azzi
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