Barricada dos silêncios

Fechei-me entre quatro paredes
Deixei barricada a solidão até esta
Se refastelar engajada num eco impulsivo
Trepidando na efervescência de um soluço erosivo
No horizonte que além se estende imperativo
Desespera um poente que fenece assombroso
Deixa tão perplexo este silêncio cativo
Potenciado por um sonho sofisticado e esplendoroso
No condomínio dos meus silêncios mora uma emoção
Pujante, poderosa e quase sempre ostensiva
Ah, como te desejo solidão inebriante e intrusiva
Nos lábios da saudade pousou um beijo casto
Perdeu-se despercebidamente num desejo obsessivo
Quedou-se na preciosidade de um silêncio ensurdecendo implosivo
Frederico de Castro
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