Estranha
A rima fácil, eis a tentação,
falácia traiçoeira, assim concluo.
Palavras escorregam pelo vão
dos vagos pensamentos, um recuo
da forma que não tem explicação.
Quem quer o bom labor rejeita o duo,
no fluxo perfeito e sem senão
da estranha poesia em que flutuo.
Há algo, no meu imo, que incomoda
e busca certo alívio por caminhos,
desvios de uma estrada clara e ampla.
Na luta por livrar-me desta roda,
a alma parte em busca de moinhos
e o verso perde o brilho e já descamba.
Nilza Azzi
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