Matriz
Ah, não fosse em vão, quem sabe até feliz,
sem o teu amor viver a triste vida.
Ter a diretriz correta da partida,
mas perder o siso e a meta que se quis.
Ah, se fosse amor a escolha preferida
e não mais pusesse em mim, a dor raiz,
pois, se por um triz, a luz não mais bendiz,
sobra-me afinal buscar nova guarida.
Guarda o coração, matriz do amor que tive;
sem qualquer razão, persiste esta lembrança,
qual a ferro e fogo, em mim fosse gravada.
Mas no fundo sei que não adianta nada...
Este meu presente é lúcido e me lança
sempre e sempre além – além desse declive.
Nilza Azzi
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