A CANETA QUE EMBURRECE O HOMEM [Musica Caneta Azul] [MANOEL SERRÃO]

É lamentável a que ponto chegou à música brasileira. Infelizmente a música brasileira não possui mais conteúdo, mensagens, poesias ou rebeldia com justa causa. As músicas não são mais utilizadas para defenderem ideais, sublimar o espírito e encantar a alma humana. Não bastasse a pobreza, o desserviço e o estrago causado pelo tal do funk, onde temos letras vazias, sem qualquer conteúdo, cantores os denominados MC's totalmente desafinados, fazendo apologia à criminalidade, onde se têm batidas repetidas com toques eletrônicos que irritam e letras sem noção, muitas letras falam de putaria, de crime e o pior até apologia à pedofilia fazendo do sexo feminino um mero objeto de manipulação, temos ainda no cardápio a tal Swingueira baiana que esfola numa repetição percutiva os tímpanos e o cérebro de qualquer ser. De acordo com Augusto Luiz [autor do Blog Errático – artigo Putaria Musical Baiana], nos diz que:: “o que tem de riqueza de ritmo a Swingueira baiana, tem também de pobreza na letra”. As letras associadas à esse ritmo, quase sempre, empregam um segundo, terceiro, quarto sentido, quase sempre associados ao sexo, denegrindo–o e manchando a imagem física e psicológica do sexo feminino. E isso não vem de hoje… Quem não se lembra dos clássicos versos: “Agora que tá bom, agora tá bonito, é que chegou o Chico Rola no forró do Zé Priquito…”? ““... As letras, quase sempre, mostram a inaptidão, ou a própria maldade de quem as faz. São deprimentes.
Discorda? Pare, pense. Consegue? Então, sigamos. Sente-se numa cadeira, de frente pra duas pessoas que estão dançando... Com algodão, ou qualquer coisa do tipo, isole acusticamente os seus ouvidos. Fez? Então, agora, preste atenção. Aguce o seu senso crítico – caso tenha um. O que você vê? O que você realmente vê? É bonito? Por que o ritmo alucina – e isso só pode ter vindo da inteligência – e a letra atrai a má crítica – e isso só pode ter vindo da burrice; Chego a uma conclusão: Isto não é um grande feito. Nem de perto é. Como uma música de apenas refrão não pode ser. É um perigo. Sim, um perigo. Porque com essa sedentarização que é imposta ao nosso pensamento, é um verdadeiro golpe na cultura. Cada vez mais nascem músicas sem letra, sem sentido – propriamente pensante – e, cada vez menos, se vê a verdadeira essência da música => a mensagem que se passa. E por último, temos a xaropada invasiva do estilo sofrência, que de tão ridículas jamais deveriam ser definidas ou chamadas de músicas. Para tanto, tentando entender (se é que é possível entender alguma coisa) como chegamos nisso? Como podemos ouvir a algo verdadeiramente tão ruim? Um verdadeiro purgatório de musicas com letras purgativas que só falam de traição, sexo, cachaça, bumbum: "eu vou beber até...; eu vou quebrar-a-cara dela [é assim mesmo com cacofonia e tudo mais]". Ou ainda: "já vendi o carro e vou beber de cachaça"; "vou pegar a novinha...": "rebola o bumbum", etecetera, desvalorizando a mulher; desconstruindo a família, exercitando um português chulo e desprovido de qualquer concordância verbal e/ou nominal, ainda aparece a tal da Caneta Azul. De prima facie, que fique claro, aqui não se trata de preconceito, mas de conceito. Ouço incrédulo toda uma geração emborrecida, flutuante e vazia, resultante de anos de uma lavagem cerebral cruel e perversa proporcionada pela indústria do lixo – trash - cultural, enfim, óbvio verificar o quanto a música de péssima qualidade - em TODOS os sentidos - conseguiu invadir todos os espaços midiáticos que você imaginar, a ponto de presenciarmos a todo instante o quanto a riquíssima e legítima cultura regional do país está completamente diluída.Eis ai então que está formata e criada uma legião de alienados, energúmenos e mentecaptos de um gosto musical medonho e bestializado. Como gado no curral, dominados pelo cabresto do lixo cultural imposto pelo poder, sem que percebam a mediocridade a que foram levados. Tá tudo e todos dominados. Um grande curral cheio de excrementos "sonoros'. Um panótipo assustador que corrói quão ferrugem a formação do espírito humano, mormente o pensamento crítico de um povo que deveria ter acesso franqueando a um leque de opção que permitisse ou permita sacar a venda dos olhos e do espírito. A propósito muitas pessoas acham graça da “música” , cantarolam, divulgam aos amigos, tocam em seus possantes paredões, etc., porém em vez de engraçada, vejo é mesmo com muita preocupação, porque nos faz constatar que realmente estamos no caminho errado. Isso já fora constatados por Platão [filósofo grego] que tratou à estética e a ética com referencia a música e a educação em sua obra. “Para Platão, o ideal da educação não é formar o indivíduo por ou para si mesmo, mas formar o cidadão para a polis.” (TEIXEIRA, 2006, p. 26) Nesse Estado ideal, o mais perfeito possível, os cidadãos seriam educados desde a infância para buscar a verdade, praticar o bem e contemplar a beleza. A obra A República discute como seria tal Estado, senão vejamos: “Para Platão, os gregos, a literatura, a música e a arte teria grande influência na formação do caráter, e seu objetivo era imprimir ritmo, harmonia e temperança à alma”. Por isso se deve preserva-la como tarefa do Estado.” (FONTERRADA, 2008, p. 27). A principal função da música, portanto, seria pedagógica, uma vez que ela era responsável pela ética e estética, o que implicaria na construção da moral e do caráter da nação. De acordo com Tom Martins, bacharel em Composição e Regência, é maestro da OFSSP, compositor e instrumentista.": "A música – ou a arte – não é necessariamente algo bom apenas por ser música ou arte. Há a música nefasta, a arte degradante. Se há uma relação íntima entre ética e estética, os valores cultivados por quem cresceu ouvindo lixo cultural evidentemente vão se refletir em suas ações. “Fechar os olhos a isso e não cuidar para que o que nós ouvimos e consumimos como arte seja algo minimamente razoável ultrapassa o limite da irresponsabilidade: é suicídio. ”Portanto, sim retirar-lhe dos olhos e do espírito a feiura do mau gosto. E acesso então a uma ética e estética cultural de apurado gosto. Porque essa história de que gosto não se discute? Engano! Gosto se discute Sim! Porque gosto que não se discuta? Atrofia! É verdade, infelizmente chegamos ao fundo do poço. Grande ABRAÇO.
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