Poesia, ah! que te quero!


Poesia assim me escapa
e me deixa triste e só...
Se a vida me desse um mapa
e todo esse rococó
tirasse do meu caminho,
quem sabe, minha Poesia,
eu soubesse o que é carinho;
m sabe a velha alegria
surgisse à frente primeiro,
nesse espaço em que me esgueiro...

Quando chega o desespero, 
fujo às pressas, sem parar. 
Mas às vezes o exagero 
faz com que nos falte o ar; 
Poesia, ah! que te quero, 
nos sonhos de um mundo aberto! 
Por ti eu falo e exagero 
e luto por ti decerto. 
Doce és tu, viva no sonho, 
não nos versos que componho. 

Há flores no teu caminho, 
que não crescem para mim! 
Por certo eu não adivinho 
a direção do jardim, 
onde vivem, sempre belas, 
as ideias e as palavras; 
onde não causem querelas; 
já não sejam de outras lavras... 
Poesia, ah! que te quero! 
nesse meu verso sincero. 

Nilza Azzi

 
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