Cantilena campestre
toda vestida de azul ela caminha no sonho
não sei de quando desperta
nem do portal que transponho
na névoa desse luar, na poeira das estrelas
a palha do milho maduro, a terra cheirando a chuva
quem sabe de tal sonhar supõe que consegue vê-las
as promessas do futuro
a colheita de candeias
uma pequena andorinha, ao seu lado revoava
e nas mãos comer, lhe vinha
não! não era sua escrava
naqueles campos de milho, a luz da lua se espalha
nos caminhos por que trilho
todo o milharal farfalha
com o brilho das estrelas, por onde o sonho se escoa
polvilha as luzes mais belas e talha o céu de garoa
para ali os reis já vêm
buscando a presença atávica
a noite sabe a Belém
distante, mas sempre mágica
nilza azzi
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