Atraso
Não morro de amores por fogo em floresta,
por ave em gaiola, por tudo que agrida
e, menos ainda, por tudo que empesta
o mundo animal destruindo-lhe a vida.
Não morro de amores por fato homicida,
por ignorância, por tudo que gesta
ausência de paz e esperança na vida;
por tudo que é guerra, essa coisa funesta.
Porém o que dói, em minh’alma, bem fundo,
decerto é tortura, em qualquer situação,
fazendo morrer o sorriso em meus lábios.
Provoca revolta, esse horror oriundo
de seres brutais que atrasados estão
bem longe da luz elevada dos sábios.
Nilza Azzi
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