Mortos de fome 47
Antes de meter por terra adentro
e de boca sofrida de silêncio imposta pelas mãos,
diga-lhes
que coisas, tipos barreiras rochosas impede que a boa nova chega a cidade
diga-lhes
que de outro lado anda desânimos com caras coladas a outra
diga-lhes
que temos caído por anos num vácuo que farto de liberdade,
com grandes números, maduros tipos, idades das coisas.
diga-lhes
que no lugar de vento já se habituou o folgo de mulher solteira.
diga-lhes
que a terra só tem resistido,
porque são as nossas lágrimas a aguentar as levadas no contrabando da seca,
diga-lhes
que precisam voltar pela última vez para,
explicarem sobre a penúria que morreu no país,
as suas bocas que caíram a falar a verdade sobre as faces da morte, da fome
de homens e a desarrumo da esperança,
e a fome que festeja a cabeça dos homens, cor da terra seca.
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