Depressão
Meu soneto desbotou, perdeu a cor
e me conta que jamais falar de amor,
ele irá, pois não consegue ter mais força
e por mais que ele torça ou se retorça,
fica preso numa forma inconsequente,
na aspereza de uma rima repelente.
Como fosse um marginal posto de lado,
já não tem a mesma glória do passado.
Diz que vai fazer as malas e partir;
procurar por novos ares, vai fugir,
pois não quer saber de dor de sofrimento.
Eu lhe digo que isso é coisa do momento,
mas o pobre diz que não e, decidido,
parte mesmo e me deixa deprimido.
Nilza Azzi
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